Querido diário,
Abril 4, 2007

Desde que coloquei o pé pra fora da cama na manhã de hoje, desconfiava que esse seria o pior dia de 2007. Bingo.
Tudo começou com uma dor de cabeça dos infernos, enviada pelo Capeta himself. Dessa vez, eu não podia simplesmente tomar um remédio, me trancar no quarto e enfiar a cabeça no travesseiro outra vez. Eu tinha aquela prova. Caramba, como pude esquecer? A prova de estágio! Engoli a Neosaldina de uma vez e corri pro banheiro. Lá pelas tantas do banho, descubro que o condicionador acabou. Great. Molho o banheiro inteiro só pra achar aquele pote de Elsève lá no fundo do armário e continuar meu ritual banhístico em paz.
Não satisfeito, o dia resolve me pregar mais algumas peças. Saí de casa, até então tranqüila, ouvindo o “Nightsongs” do Stars. Então todos os carros resolvem se juntar em um complô contra minha pessoa. Vamos todos a 20 quilômetros por hora, eles combinaram. E de repente todas as crianças do bairro da Pedreira resolveram brincar na rua e levaram junto seus cachorros, cavalos, gatos, galinhas; nada poderia ser pior que isso, nada.
Claro que podia. A caixa de marcha do meu carro resolve quebrar depois que eu passo por cima de um buraco (que nem era tão grande assim). A primeira não engatava, nem a segunda, nem o ponto morto. Zero. Estacionei o carro e por 5 segundos pensei em seguir em frente. Não consegui. A maldita marcha ficou presa na terceira e toda vez que eu tentava arrancar, o carro morria. Juro que até pensei em adotar a solução da família Hoover em “Pequena Miss Sunshine”, onde eles empurram a kombi amarela até atingir uma certa velocidade (eles também tiveram problemas com a caixa de marcha). Como boa filha única, optei por ligar ao meu pai, que em 5 minutos apareceu por lá, meio pálido, achando que eu tinha morrido. Deixamos o meu carro parado e seguimos para a universidade em meio a sermões do tipo “você deveria ter saído com 1 hora de antecedência de casa” e ultrapassagens malucas.
E agora você pensa: “É nessa parte que ela faz uma prova maravilhosa”. Não, a bovina fantasiada de gente não me deixou entrar com 10 minutos de atraso. E mais, ainda riu da minha respiração ofegante por ter subido (correndo!!) 4 andares de escada. Eu juro que fiz uma imagem mental de como seria divertido entrar com uma arma naquela sala e atirar em todo mundo. Ao invés disso, fui pro banheiro chorar.
Passado o estresse, fui ao cinema assistir “300″. Fotografia excelente, mas isso fica pra outra conversa. Nada de errado por lá, exceto o áudio da sala ao lado que era ouvido na nossa. Voltei pra UNAMA pra assistir a maldita aula de semiótica. Um inferno. Queria matar alguém e meu professor era um sério candidato. Respira, respira. Saí mais cedo e peguei uma carona com a minha mãe de volta pra casa. No caminho, paramos pra comer batatinhas. Como um passe de mágica, o copo de batatas cai da minha mão e espalha pelo carro catchup, queijo ralado e toda sorte de temperos. Então agora temos um carro sem marcha e outro cheio de batatas e baratas.
Meu namorado me liga me convidando pra sair. “Posso morrer, então prefiro ficar em casa”. Chego em casa e descubro que dois amigos estão piores que eu. Querido diário, desculpa te alugar assim, é que eu precisava desabafar. Ah, só mais uma coisa…Murphy filho da puta! Pronto, falei.
Pelo menos o Alemão ganhou o BBB, né gente…
* Texto escrito no dia 3, mas publicado na madrugada do dia 4
Holly shit!
Dia ruim é pouco! Se com bom humor, eu fui ver 300 e já queria sair matando quem me olhasse com cara feia. Puto da vida, assistindo o filme e depois assistindo a aula daquele professor, eu faria da minha caneta a ferramenta de derramar sangue do corpo dele!
Agora sendo sadicamente mal, eu queria que você tivesse mais alguns dias ruins como esses para escrever uma história tão boa quanto essa! Brincadeira!AAHAAHAHAHAH
Beijos!
Atenciosamente,
Gabriel Caldas.
ai inferno astral mode on.
acho que é hora de fazer um despacho
=*****
pelo menos a gente se viu, né? -bico
:*****
não acredito que isso aconteceu ¬¬
vou comprar outro celular ¬¬
Há dias em que não nos devemos levantar da cama.